Democracia Corinthiana

Após uma pífia campanha no Brasileirão de 1981, Vicente Matheus deixa a presidência, após o vencimento de seu mandato, assumindo Waldemar Pires. Após a posse de Pires é nomeado Diretor de Futebol o sociólogo Adilson Monteiro Alves, que adotou como política de gestão a participação ativa dos jogadores. Nasce a Democracia Corinthiana, um sistema de autogestão, ou auto-organização, onde os jogadores, comissão técnica e diretoria decidiam os rumos do departamento de futebol pelo voto direto. Contratações, demissões, escalação, concentração, enfim, tudo era decidido pelos trabalhadores, um homem, um voto, do presidente ao roupeiro todos os votos tinham o mesmo peso nas decisões. Em plena Ditadura Militar, o time do povo, com a maior torcida do país, começa a discutir política e por em debate o porquê de uma ditadura, utilizando o futebol, caracterizado pelo conservadorismo até os dias de hoje.

Outro ponto não menos relevante, foi a desmistificação da dependência direta dos patrocínios de camisa, durante a democracia as camisas carregavam dizeres políticos como “diretas já” ou “eu quero votar para presidente”, trazendo para o futebol a consciência política que já se desenvolvia há anos em outros setores da sociedade ligados a diversos movimentos sociais durante a ditadura militar brasileira.

O Corinthians conquista dois campeonatos paulistas (1982 e 1983) e chega as fases finais da Taça de Ouro (na época era possível subir da Taça de Prata a Taça de Ouro, no mesmo ano, equivalentes respectivamente a segunda e primeira divisão do brasileiro) também nos anos de 82, 83, 84. Inúmeras pessoas públicas acabam aderindo a causa do time, que extrapola o campo de futebol e começa a fazer campanhas pelas Diretas Já. Com influência direta de Washington Olivetto fazem com que o público do futebol também debata sobre o movimento de abertura política. Osmar Santos, Juca Kfouri e Rita Lee, acabam vestindo a camisa da Democracia Corinthiana. Sócrates, Casagrande e Wladimir sobem em palanques e discursam sobre as diretas ao lado de políticos e figuras públicas.

Democracia Corinthiana, um movimento único na história do futebol mundial, nunca depois repetido, e com grande influência para o movimento das Diretas Já.

2 comentários:

Aline terrivel disse...

Eu pago um pau pro CORINTHIANS
Atéh nisso foi grande
Meu Corithians sempre engajados em belas causas
Outro time não teria peito pra isso

Sesa Woruban disse...

Muito mais do que futebol, muito mais do que esporte, muito mais do que um clube: Corinthians é dignidade, luta e liberdade! B-) MAX MÜLLER

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